Vida de revisor é difícil 6!

1)      Professor, em “O Rio de Janeiro que é uma cidade violenta, precisa de melhor governante”, falta alguma vírgula?

Resposta: Falta sim, antes do “que”, pronome relativo. Esse conectivo inicia uma oração adjetiva. Como a cidade do Rio de Janeiro é uma só, e ela é a cidade violenta, temos, nessa oração, um valor explicativo. Sendo assim, ela tem de vir entre vírgulas. Claro que se podia ter uma restrição, mas seria querer demais do estilo do escritor. A dúvida acontece porque, na língua falada, é muito clara a pausa existente antes do segundo verbo (“precisar”), mas não a primeira, antes do “que”. No caso de ser uma restrição, não pode haver pausa antes do “que”, mas, ainda assim, há uma pausa antes da forma verbal “presisa”. Na língua escrita, a diferença é que, nas explicativas, existem as duas pausas marcadas por vírgulas, enquanto, nas restritivas, há uma pausa, mas não existe vírgula alguma.

Vida de revisor é difícil 5!

1)      Professor, está correta a locução usada na frase “O jogo teve seu final contestado, à medida em que houve sérias polêmicas”?

Resposta: Não! Seria certo escrever “na medida em que”, que equivale a “porque”, “visto que”, “uma vez que”, dando ideia de causa (ou explicação). A outra forma seria “a medida que” (sem o “em”), que introduz uma ideia proporcional, ou seja, que uma ação que aconteça numa mesma proporção que a outra “O jogo teve seu final cada vez mais contestado, à medida que aumentavam as sérias polêmicas.”

Vida de revisor é difícil 4!

1)      Professor, li, numa manchete de jornal, o seguinte: “Câmara reaviu antigo projeto.” É correto? Ou é reaveu?

Resposta: Não! Também não! Fui ler a matéria e vi que o verbo a ser usado era “reaver”. No primeiro caso, o erro aconteceu porque, por engano, seguiram o verbo “ver”. A segunda opção errada ocorre devido ao fato de o verbo “reaver” ser conjugado como regular, seguindo o modelo da segunda conjugação, “vender”. Existe uma espécie de regra geral que orienta a conjugação dos verbos irregulares: “verbos derivados seguem os primitivos”, e, na verdade, o verbo que serve de modelo é “haver”, uma vez que “reaver” significa “haver ou ter novamente”, daí a sinonímia com “recuperar”, “retomar”. O erro se torna mais comum devido ao fato de não termos o hábito de conjugar normalmente o verbo “haver”, pois quase sempre o usamos com o sentido de “existir”, o que o faz se manter na terceira pessoa do singular. Mas, a regra é clara: “reaver” se conjuga como “haver”; portanto, “reouve”, como “houve”: “Câmara reouve antigo projeto.”

Vida de revisor é difícil 3!

Professor, este “porque“ está certo? “Sei porque ela não veio à aula.”

Resposta: Ainda aparece na pergunta que, após consultar alguns sites sobre o assunto, vira que “por que” separado só em perguntas. Esses sites não merecem confiança. A explicação é clara. Tentam explicar o uso da palavra “porque” e da combinação da preposição “por” com o pronome “que” (logo, “por que”) como se fosse algo fácil. Não é! Nesse exemplo, temos a segunda forma, uma preposição “por” e um pronome substantivo “que”. Pode-se ver isso substituindo a combinação “por que” por “por que motivo”. Se tivéssemos um verbo de valor interrogativo, por exemplo, “perguntar”, não haveria problema, e todos escreveriam “Perguntei por que ela não veio à aula.” Trata-se de uma oração justaposta, que completa, como objeto direto, um verbo transitivo direto (“Sei” / “Perguntei”), e o “por que” tem a função de adjunto adverbial de causa do verbo “vir”.

Vida de revisor é difícil 2!

Professor, como devo me referir à ex-senadora Marina Silva? Devo escrever que ela é  

Resposta: Segundo a língua portuguesa, o correto, hoje, é escrever que quem nasce no Acre é acriano. Apesar de a Academia de Letras daquele estado rejeitar essa nova grafia, é a nova regra ortográfica do português, a qual estabeleceu que, sendo necessário o uso de vogal de ligação para juntar o sufixo “-ano/a” (no caso, indicador de gentílico) ao nome, sempre será um “i”.Antigamente, usava-se o “e”, com a pronúncia variada de “e” ou “i”, agora, escreve-se “i” mesmo. Para as crianças, que ainda estão aprendendo, ficou bem mais fácil!

Vida de revisor é difícil! 1

Vida de revisor é difícil 1

1)      Professor, posso escrever assim ou tem o hífen?

“Casal famoso. numa festa de aniversário, enfrentou uma saia justa.”

- Vai ser a legenda de uma foto em que a apresentadora está de calças compridas...

- Não me refiro à peça do vestuário, mas, sim, a uma “situação constrangedora”.

Resposta: É melhor pôr o hífen, pois a regra diz que, na formação de palavras compostas, havendo sentido novo, ele deve ser usado. Sei que “saia-justa” não tem o hífen no Houaiss e não aparece no VOLP/ABL, mas, nessa hora, convém seguir a regra.

Assim: “Casal famoso, numa festa de aniversário, enfrentou uma saia-justa.”

Turma 22 do Curso à distância de Formação em Revisores e Atualização em Língua Portuguesa

Estamos lançando a 22a turma do "Curso à distância de Formação em Revisores e Atualização em Língua Portuguesa", que, assim, contempla uma larga revisão do programa de Língua Portuguesa, incluindo Adequação vocabular, Ortografia, Pontuação, Flexões nominais, Conjugação verbal, Coesão e coerência, Concordância, Regência, Crase, Emprego de pronomes relativos, demonstrativos e pessoais, além de Colocação pronominal, e outras coisas mais.
Esta turma começará em 24/10, com uma pré-aula, em que falaremos do uso do Skype para os encontros on-line (que podem ser gravados; permitindo ser vistos pelo aluno quando quiser e quantas vezes desejar). Mostraremos, também, o calendário e os itens do programa, e explicaremos toda a dinâmica dos exercícios e avaliações.
A Aula 1 está marcada para o dia 31/10, e o curso se estende até o final de dezembro. O investimento é baixo, apenas R$ 300 para 11 encontros, mais de 350 slides, cerca de 600 exercícios com gabaritos e comentários, além de 10 avaliações corrigidas e, também, comentadas. O grande diferencial deste curso é o “tira-dúvidas”, com atendimento individualizado, a qualquer tempo, por meio de e-mail.
Outras informações podem ser obtidas com o próprio professor em <contato@professorozanirroberti.com.br>.
Caso você não possa fazer o curso agora, agradecemos sua divulgação.
Qualquer dúvida, faça contato.
Abraços.
Ozanir Roberti

Turma 8 do Curso de Atualização em Análise Sintática

Estamos lançando a oitava turma do "Curso à distância de Atualização em Análise Sintática", que, dessa forma, contempla uma das partes mais complexas do estudo da língua portuguesa.

Nela, estudaremos as funções sintáticas, além da divisão e da classificação das orações.

Nas aulas iniciais, falaremos do sujeito e do predicado, dos complementos verbais e nominais, dos adjuntos e outras funções. Depois, trataremos de um assunto espinhoso: a divisão das orações e suas  classificações como coordenadas, principal e subordinadas.
Esta turma começará com uma pré-aula em 19/9, em que falaremos do uso do Skype para os encontros on-line (que podem ser gravados; permitindo ser vistos pelo aluno quando quiser e quantas vezes desejar). Mostraremos, também, o calendário e os itens do programa, e explicaremos toda a dinâmica dos exercícios de análise e das avaliações.
A Aula 1 está marcada para o dia 26/9, e o curso se estende até o final de novembro. O investimento é baixo, apenas R$ 300 para 11 encontros, mais de 300 slides, cerca de 500 exercícios com gabaritos e comentários, além de 10 avaliações corrigidas e, também, comentadas.
Outras informações podem ser obtidas com o próprio professor em <contato@professorozanirroberti.com.br>.
Caso você não possa fazer o curso agora, agradecemos sua divulgação.
Qualquer dúvida, faça contato.
Abraços.
Ozanir Roberti

9 de setembro de 2019

Turma 1 do "Curso à distância de Produção Textual"

Estamos lançando a primeira turma do "Curso à distância de Produção Textual ", que, assim, contempla uma formação básica na atividade de escrever.

Nele, estudaremos as modalidades textuaisdescrição, narração e dissertação – nos vários gêneros comuns aos dias de hoje

Ainda faremos uma larga revisão gramatical como apoio ao ato de redigir, passando por pontuação, emprego de pronomes demonstrativos, adequação vocabular, ortografia, conjugação verbal, coesão, coerência, concordância, regência, crase, emprego de pronomes relativos e pessoais, além de outros mais.
Esta turma começará em 21/8, com uma pré-aula, em que falaremos do uso do Skype para os encontros on-line (que podem ser gravados; permitindo ser vistos pelo aluno quando quiser e quantas vezes desejar). Mostraremos, também, o calendário e os itens do programa, e explicaremos toda a dinâmica dos exercícios e produções textuais.
A Aula 1 está marcada para o dia 28/8, e o curso se estende até o final de outubro. O investimento é baixo, apenas R$ 300 para 11 encontros, mais de 300 slides, cerca de 500 exercícios com gabaritos e comentários, além de 10 produções textuais corrigidas e, também, comentadas.
Outras informações podem ser obtidas com o próprio professor <contato@professorozanirroberti.com.br>.
Caso você não possa fazer o curso agora, agradecemos sua divulgação.
Qualquer dúvida, faça contato.
Abraços.
Ozanir Roberti

Turma 21 do Curso à distância de Formação em Revisores

Estamos confirmando a 21a turma do "Curso à distância de Formação em Revisores e Atualização em Língua Portuguesa", que, assim, contempla uma larga revisão do programa de Língua Portuguesa, incluindo Adequação vocabular, Ortografia, Pontuação, Conjugação verbal, Coesão e coerência, Concordância, Regência, Crase, Emprego de pronomes relativos, demonstrativos e pessoais, e outros mais.
Esta turma começará em 22/8, com uma pré-aula, em que falaremos do uso do Skype para os encontros on-line (que podem ser gravados; permitindo ser vistos pelo aluno quando quiser e quantas vezes desejar). Mostraremos, também, o calendário e os itens do programa, e explicaremos toda a dinâmica dos exercícios e avaliações.
A Aula 1 está marcada para o dia 29/8, e o curso se estende até a terceira semana de outubro. O investimento é baixo, apenas R$ 300 para 11 encontros, mais de 350 slides, cerca de 600 exercícios com gabaritos e comentários, além de 10 avaliações corrigidas e, também, comentadas.
Outras informações podem obtidas com o próprio professor <contato@professorozanirroberti.com.br>.
Caso você não possa fazer o curso agora, agradecemos sua divulgação.
Qualquer dúvida, faça contato.
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Ozanir Roberti

Fantasmas da Análise sintática 10) Locuções prepositivas inciam orações desenvolvidas?

Pergunta de uma aluna:

Professor, pensei em um tipo de locução prepositiva que introduz uma oração desenvolvida: "Ele fez tudo de acordo com o que pedi". "De acordo com", até por terminar em preposição, é locução prepositiva, e não locução conjuntiva. Locuções prepositivas podem iniciar orações desenvolvidas? Há uma explicação para tal fato?

Não! Isso não é verdade! Sua conclusão e sua dúvida se fundamentam num erro de análise sintática.

Vejamos o seu período: "Ele fez tudo de acordo com o que pedi."

Há dois verbos – “fez” e “pedi” – e um conectivo – “que”. Tudo normal! Vamos à separação das orações.

1.       "[(1) Ele fez tudo de acordo com o][(2) que pedi.]"

Foi aí que você errou, na divisão das orações. E tal erro levou-a à conclusão errada.

A locução prepositiva “de acordo com”, realmente introduz um adjunto adverbial com a noção semântica de conformidade, cujo núcleo é o pronome substantivo demonstrativo “o”, que é igual a “aquilo”. A carga semântica desse pronome só ganha substância com o adjunto adnominal oracional “que pedi”. Veja que as opções seguintes seriam mais fáceis de entender, não só na sua divisão, mas também no conteúdo das mensagens.

2.      "[(1) Ele fez tudo de acordo com aquilo][(2) que pedi.]"

3.      "[(1) Ele fez tudo de acordo com o movimento][(2) que pedi.]"

A ideia de conformidade, introduzida pela locução prepositiva (e é prepositiva porque o último elemento é uma preposição) “de acordo com” se tornaria mais nítida se a substituíssemos por “conforme”. No entanto, só temos uma ideia realment clara quando aparece uma restrição, especificando o substantivo “movimento” e o pronome “aquilo”. Tal especificador é a oração iniciada pelo pronome relativo “que”, no caso uma subordinada adjetiva restritiva.

Tal erro ocorreu por um esquecimento. Havendo um “o que”, não se esqueça de que:

a)      se separam as orações entre o “o” e o “que”;

b)      a oração do “o” é principal;

c)      a oração do “que” é subordinada adjetiva restritiva;

d)      o “o” é pronome substantivo demonstrativo;

e)      e o “que” é pronome relativo.  

Finalmente, uma locução prepositiva pode, sim, iniciar uma oração desenvolvida. Basta, para isso, que, em seguida a ela, apareça uma conjunção.

4.      “Iniciou os entendimentos com a oposição a fim de que tudo estivesse combinado antes da votação.”

A locução prepositiva “a fim de” vem seguida da conjunção “que” e, juntas, iniciam a oração adverbial final desenvolvida. Vale saber que “a fim de que” é considerada uma locução conjuntiva.

Fantasmas da Análise sintática 9) A preposição "para" iniciando orações

Pergunta de uma aluna:

Olá, professor! Estava lendo seu último post, e ele veio ao encontro de um questionamento que fiz nesta semana, a respeito de preposições e conjunções. É que me incomoda um pouco o "para" não ser considerado também conjunção, embora ele apenas introduza orações reduzidas. Mas isso parece contrariar um pouco a explicação de que preposições unem apenas palavras, e não orações.

Na verdade, é um questionamento que diz respeito à preposição “para”, que, ao iniciar oração, funcionaria como conjunção.

  Há, realmente, um caso em que o “para” inicia oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo, aliás, uma construção clássica e muito comum na nossa língua.

 1)      “Eles utilizaram a rede social para atingir leitores específicos.”

  O que ocorre, exatamente, é que a preposição “para” liga palavras, ou seja, estabelece ligação entre o verbo “atingir”, que está no infinitivo, e o verbo “utilizar”, criando uma subordinação da segunda oração em relação à primeira.

  Acontecem casos em que o “para” (insisto: uma preposição!) aparece antes da conjunção subordinativa final, em orações com a mesma noção semântica.

 2)      “Eles utilizaram a rede social para que atingissem leitores específicos.”

  Veja que, nesse exemplo, existe o “para”, tornando clara a noção semântica de finalidade, e a conjunção “que”, funcionando como o conectivo oracional. Em termos morfológicos, consideramos a locução “para que” como locução conjuntiva.

  Existem, também, exemplos em que o “para” inicia orações substantivas, sendo uma preposição regida pelo verbo ou nome anterior.

 3)      “Os professores entregaram os prêmios para quem mais os merecia.”

4)      “Os exemplos foram úteis para quantos necessitavam das explicações.”

  Nos casos acima, temos duas orações subordinadas substantivas. A do exemplo 3 é objetiva indireta, sendo a preposição regida pelo verbo anterior, “entregar” (transitivo direto e indireto). No outro, quem rege a preposição “para” é o nome “úteis” (predicativo da primeira oração); por isso, a oração é completiva nominal. Em ambos os casos, o “para” é seguido de pronomes substantivos indefinidos, que exercem a função de sujeito dos verbos que vêm depois.

  O “para” pode aparecer, ainda, antes de pronomes relativos que exerçam uma função introduzida pela própria preposição.

 5)      “As explicações para que estávamos atentos eram surpreendentes.”

6)      “Ficou bem surpresa a jovem para quem demos a flor.”

  Ainda são dois casos em que a preposição é regida por um nome e por um verbo. Em 5, é o adjetivo “atentos” que rege o “para”; no 6, a palavra regente é o verbo transitivo direto e indireto “dar”. Os termos precedidos pelo “para” com os pronomes relativos “que” e “quem” são, respectivamente, complemento nominal e objeto indireto.

  Assim, vemos que as ocorrências do “para” são bem explicadas pela nossa morfossintaxe.

Fantasmas da Análise sintática 8) Qual é a diferença entre as orações adverbiais conectivas e justapostas?

Pergunta de uma aluna de um dos meus cursos on-line

Professor, qual é a diferença entre uma oração adverbial conectiva e outra justaposta?

A princípio, dizemos que, quanto à morfologia, as orações subordinadas adverbiais podem ser desenvolvidas e reduzidas.

As orações reduzidas não são iniciadas por conjunções e, por isso, têm seus verbos nas formas nominais: infinitivo, gerúndio e particípio.

1)   “Antes de sair, veja o aviso na porta.” – subordinada adverbial temporal, reduzida de infinitivo;

2)   “Mesmo chegando cedo, nós não o encontramos no consultório.” – subordinada adverbial concessiva, reduzida de gerúndio;

3)   “Acabada a discussão, todos sentaram à mesa para um chope.” – subordinada adverbial causal ou temporal, reduzida de particípio.

As desenvolvidas sempre terão os verbos em outras formas que não as nominais e podem ser conectivas e justapostas.  

As conectivas são as orações subordinadas adverbiais mais comuns, isto é, aquelas que são iniciadas por conjunções ou locuções conjuntivas subordinativas.

4)   “Quando puder, aprenda melhor tal assunto.” – subordinada adverbial temporal, iniciada pela conjunção subordinativa temporal “Quando”;

5)   “Assim que receber o recado, venha ao nosso encontro.” – subordinada adverbial temporal, iniciada pela locução conjuntiva subordinativa temporal “Assim que”;

6)   “Resolveu a discussão entre os rivais, porque tinha bons argumentos.” – subordinada adverbial causal, iniciada pela conjunção subordinativa causal “porque”;

7)   “A União assumiu tais mudanças, uma vez que os estados estavam falidos.” – subordinada adverbial causal, iniciada pela locução conjuntiva subordinativa causal “uma vez que”;

8)   “Se estiver livre, apareça no próximo domingo.” – subordinada adverbial condicional, iniciada pela conjunção subordinativa condicional “Se”;

9)   “Conheça o novo modelo, desde que possa vir aqui no domingo.” – subordinada adverbial condicional, iniciada pela locução conjuntiva subordinativa condicional “desde que”.

São chamadas de conectivas devido ao fato de serem iniciadas por uma conjunção ou locução conjuntiva (quando há mais de uma palavra), ou seja, um verdadeiro conectivo. Ou melhor: um termo que existe apenas para ligar, que não tem função sintática

A desenvolvida justaposta é uma situação especial muito rara, que, praticamente só ocorre com as adverbiais de lugar ou locativas, que nunca são iniciadas por uma conjunção, e, sim, por um advérbio.

10)  "Os oficiais de Justiça estavam onde os imóveis seriam derrubados." – subordinada adverbial locativa ou de lugar, iniciada por um advérbio de lugar “onde”, com função de adjunto adverbial de lugar.

Ela é chamada de justaposta em vista de ser iniciada por um advérbio, uma palavra que apenas serve como conectivo. Veja que a oração subordinada, sozinha, poderia existir normalmente como uma pergunta: “Onde os imóveis seriam derrubados?“

Percebe-se, assim, que a palavra “onde” não é como os outros conectivos que iniciam as demais adverbiais.

Fantasmas da Análise sintática 7) O que é um "se" apassivador?

Um “se” apassivador é aquele que consegue formar uma voz passiva, isto é, ele altera a estrutura sintática da oração de tal modo que o sujeito, em vez de praticar a ação, a sofre.

Primeiro, vamos aprender o que é voz passiva.

1)    “O carro atropelou a moto.”

“O carro” é o sujeito da oração que tem como verbo “atropelar”. Ele pratica a ação de “atropelar”. Este verbo, por sua vez, é transitivo direto, ou seja, seu complemento é o termo que sofre a ação: “a moto”. Essa é a Voz Ativa.

A mesma mensagem poderia ser transmitida por meio de uma estrutura diferente:

2)     “A moto foi atropelada pelo carro.”

 “A moto”, que, na frase 1, era o objeto direto, é, agora, o sujeito, ou seja, continua sofrendo a ação, mas, agora, é o sujeito. Note que a forma verbal está construída de maneira diferente. Recebe um verbo auxiliar, no caso “ser”, na forma de passado “foi”, a que se soma o particípio do verbo principal, “atropelada”. Finalmente, o sujeito da oração 1 ganha o auxílio da preposição “por” e indica o termo que pratica ação; por isso, chama-se agente da passiva. Essa é a maneira como se forna a voz passiva no seu modelo mais tradicional, a passiva verbal ou analítica.

3)    Venderam a moto.

Note que, nesse exemplo, não aparece o agente da ação de “vender”. Diz-se que o sujeito é indeterminado. Não sabemos quem a vendeu. Sabemos, porém, que “a moto” é o objeto direto do verbo transitivo direto. Ela sofre a ação. A estrutura é ativa, pois o sujeito, mesmo indeterminado, foi alguém que praticou a ação.  

4)    Vendeu-se a moto.

O emprego do “se” muda a estrutura sintática do exemplo. Agora, diz-se que “a moto” é o sujeito, e a voz usada é passiva. Esse é o “se” apassivador. Faz a transformação da frase ativa em passiva. Note que, em relação à anterior, existe a mesma indeterminação do agente. Não sabemos quem a vendeu, mas sabemos o que foi vendido, “a moto”. A mensagem é igual à da 3, embora a estrutura seja diferente. Dizer “vendeu-se a moto” é o mesmo que dizer “a moto foi vendida”. Assim, comprova-se que o “se” é o elemento formador da voz passiva.

Isso, no entanto só ocorre com verbos que pedem objeto direto, isto é, o termo que, na voz ativa, sofre a ação. Veja outro exemplo

5)    Deram-se outros motivos aos atrasados.

Mais uma vez, não identificamos o agente. Não sabemos quem lhes deu os “motivos”. Vemos que “outros motivos”, termo no plural, que sofre a ação (de “ser dado”), é o sujeito; por isso, o verbo está no plural. Se o sujeito sofre a ação, a estrutura é de voz passiva. O verbo “dar” é transitivo direto e indireto, tendo sido o seu objeto direto transformado em sujeito paciente, o que sofre a ação. O objeto indireto – “aos atrasados” – continua sendo objeto indireto.

Muitos confundem esse “se” apassivador com um outro a que chamamos “indeterminador”. Na verdade, poderíamos dizer que é o mesmo “se”, que apenas foi usado num “ambiente” diferente, isto é, com um verbo que apenas não pede objeto direto.

6)    Depende-se de ajuda maior.

É... parece igual, pois também não identificamos o agente da ação. Mas, como não houve um objeto direto (na ativa) que pudesse ser o sujeito (da passiva), o “se” não consegue formar a voz passiva. O que ele apenas conseguiu fazer foi indeterminar o agente, que seria o sujeito da voz ativa. Ou seja, ele não formou uma voz passiva, apenas indeterminou o sujeito, daí o seu nome: “indeterminador”.

Isso ocorre sempre que não houver objeto direto pedido pelo verbo. Veja com esse verbo intransitivo.

7)    Ainda se morre de fome neste país...

Agora, percebe-se novamente que o sujeito é indeterminado, já que não se faz alusão a um sujeito, mas, sim, a uma ação contida no próprio verbo. É consequência do “se” indeterminador. Veja que os dois adjuntos adverbiais continuam com suas noções circunstanciais, de causa (“de fome”) e lugar (“neste país”).  

Mais um exemplo:

8)    Nem sempre se é feliz.

Temos, agora, a ocorrência de um “se” junto a um verbo de ligação. Novamente, aparece um sujeito indeterminado, já que não se faz referência específica a alguém. Curiosamente, o predicativo do sujeito – “feliz” – se refere a esse sujeito indeterminado. A expressão “nem sempre” é um adjunto adverbial de tempo com marca negativa.

Agora, vamos aprender a classificar os dois “se”:

Caso 1 – “se” apassivador => empregado junto a verbos que pedem objeto direto (TD e TDI); indetermina o agente e transforma o OD em sujeito paciente; forma voz passiva. Cuidado com a concordância, pois o sujeito é, agora, o termo, normalmente, posposto.

9)    Consideram-se as duas opções.

Voz passiva formada pelo “se” apassivador, já que o verbo é transitivo direto. Equivale a “As duas opções são consideradas”. O verbo, no plural, concorda com o sujeito posposto.

Caso 2 – “se” indeterminador => empregado junto a verbos que não pedem objeto direto (TI, Intransitivo e verbos de ligação); indetermina o agente, que é o sujeito; as outras funções se mantêm, e continua a voz ativa.

10)  Pensou-se em todas as opções.

Voz ativa, com sujeito indeterminado pelo “se” (indeterminador). O termo “em todas as opções” é o objeto indireto, e o verbo permanece no singular.  

Fantasmas da Análise sintática 6) “Ser” e “estar” são verbos de ligação?

Mestre, “ser” e “estar” só podem ser verbos de ligação?

Para começar, vale lembrar que a predicação verbal é uma propriedade oracional; assim, o verbo deve ser identificado de acordo com a oração em que ele aparece.

Esses dois verbos, ao lado de outros, como “ficar”, “parecer” e “permanecer”, são listados, erradamente, como verbos de ligação, como se assim fossem sempre.

Na verdade, o que caracteriza os verbos como de ligação é a perda da ideia de ação, só restando a eles indicar um estado. Por isso, são considerados como elementos de ligação, com uma noção semântica secundária.

Eles acabam fazendo parte de uma lista, porque, hoje, o seu uso mais corrente, é exatamente, nessa situação em que perdem a característica nocional, isto é, de indicar uma ação.

Vamos ver dois exemplos com o verbo “ser”.

1)   “A nossa independência foi em 1822.” – esse é o verbo “ser” numa indicação nocional, ou seja, indicando uma ação, que ocorreu “em 1822”. Esse termo é um adjunto adverbial de tempo, já que tem uma informação ligada ao verbo. Podemos entender o verbo “ser” como sinônimo de “ocorrer”. Apenas ele se refere ao sujeito.

 2)   “A nossa independência foi curiosa.” – agora, o “ser” aparece no seu uso mais comum, como verbo de ligação, indicando um estado, “curioso”, que é o predicativo do sujeito. Aliás, essa é uma estrutura fixa: “sujeito + VL + predicativo do sujeito”. É o nome, um adjetivo, que faz uma referência ao sujeito.

Veja, agora, que acontece o mesmo com o verbo “estar”.

3)   “A família está em Montreal.” – esse é o verbo “estar” numa indicação nocional, ou seja, indicando uma ação, o ato de “estar”, que é seguido por “em Montreal”. Esse termo é um adjunto adverbial de lugar, uma função ligada ao verbo. Nesse caso, temos um predicado verbal, pois só o verbo se relaciona com o sujeito.

4)   “A família está preocupada.” – nesse exemplo, o “estar” aparece no seu uso mais comum, como verbo de ligação, indicando um estado, “preocupada”, que é o predicativo do sujeito, obedecendo à estrutura conhecida como predicado nominal.

Não se esqueça! Não há lista alguma! Tem-se de analisar o que ocorre em cada exemplo.

Mais três exemplos:

5)   “Os jovens continuam o trabalho.”

6)   “Os jovens continuam na escola.”

7)   “Os jovens continuam animados.”

Só o último “continuar” é de ligação, uma vez que não indica ação alguma. É o adjetivo “animados” que se relaciona com o sujeito, cabendo ao verbo apenas o papel de ligação entre o sujeito e o predicativo.

Nos exemplos 5 e 6, existe a ação de “continuar alguma coisa ou em algum lugar”. O verbo da frase número 5 é transitivo direto (“continuar alguma coisa”), sendo “o trabalho” o objeto direto. No exemplo número 6, o verbo é intransitivo e o termo ”na escola” é um adjunto adverbial de lugar.

Fantasmas da Análise sintática 5) Coordenação e subordinação ao mesmo tempo

Pergunta de uma aluna:

No período “O menino sabia que a oportunidade chegaria, mas era difícil aguardá-la”, eu entendo bem que a oração (1) é a oração principal da segunda oração, mas tenho dificuldade de entender que a terceira oração é, além de coordenada assindética à segunda, subordinada à oração (1). Para mim, ela só teria uma relação de coordenação com a segunda.

É uma dúvida comum, que acontece por compreensão errada da estrutura do período, o que ocorre com mais frequência com alunos que aprenderam mal a análise do período.

Comecemos lembrando como se faz a divisão:

1)      Sublinhe os verbos!

“O menino sabia que a oportunidade chegaria, mas era difícil aguardá-la.”

2)      Há 4 verbos, logo 4 orações. Marque, agora, os conectivos ou palavras de ligação!

“O menino sabia que a oportunidade chegariamas era difícil aguardá-la.”

3)      Dois! Parece faltar um! Coloque colchetes de abertura no início do período e antes dos conectivos, início das orações, e numere-as!

[(1) “O menino sabia [(2) que a oportunidade chegaria, [(3) mas era difícil aguardá-la.”

4)      Comece a fazer uso dos colchetes de fechamento, sabendo que cada verbo tem de ficar em uma oração! Veja que, no final, há duas orações, embora não haja conectivo. Vendo que “difícil” está ligado ao verbo “ser”, tem de ocorrer fechamento e abertura antes de “aguardá-la”.  

[(1) “O menino sabia] [(2) que a oportunidade chegaria],[(3) mas era difícil] [(4) aguardá-la.”]

5)      Como o último verbo está no infinitivo, não é necessária a palavra de ligação. Passemos a ver, agora, a estrutura sintática. A primeira oração tem um sujeito (“O menino”) e um verbo transitivo direto (“sabia”; logo, precisa-se de objeto direto. “Sabia o quê?

6)      Raciocine! “Sabia duas coisas, “que a oportunidade chegaria e que era difícil aguardá-la.” Troquei o “mas” por “e que”, para lhes mostrar que a oração 3, também, completa o verbo TD “sabia”. Usando o artifício de substituir as orações 2 e 3 por “isso”, ficaria assim:

“O menino sabia isso (que a oportunidade chegaria) e isso (que era difícil aguardá-la.”)

7)      Veja de outra forma. Se tirássemos a segunda, a terceira completaria, também, o verbo “saber”:  

(1)   O menino sabia/ (2) que a oportunidade chegaria... 

Tirando-a:

(2)   O menino sabia/  (3) que era difícil /(4) aguardá-la.

 8)      Tirei o “mas” porque ele só serve à coordenação. Incluí o “que” porque, no texto original, ele não aparecera, para que não houvesse a repetição. São noções e propriedades semânticas, que acabam “atrapalhando” a análise sintática. 

9)      As orações 2 e 3 servem como objetos diretos do verbo “saber”. Foi usado o “mas” a fim de caracterizá-las como opostas.

10)  A última relação sintática acontece na situação da oração 4, uma oração reduzida, porque tem seu verbo no infinitivo e não tem palavra de ligação,  que é o sujeito da 3. Veja que a terceira tem um verbo de ligação e um predicativo, o adjetivo “difícil”; por isso, ela é o seu sujeito.   

11)  Fica assim a classificação das orações:

1)      Principal da 2 e da 3 (porque a 2 e a 3 lhe servem como objetos diretos; mas não da 4, já que a 4 não tem relação direta com ela, ou seja, não é função dela)

2)      Subordinada substantiva objetiva direta à 1 (porque ela é objeto direto de “sabia”) e coordenada assindética à 3 (por ter a mesma principal e a mesma função da 3 e por não ter qualquer conjunção coordenativa)

3)      Subordinada substantiva objetiva direta à 1 (porque ela também é objeto direto de “sabia”), coordenada sindética adversativa à 2 (por ter a mesma principal e a mesma função da 2; além de ter a conjunção coordenativa adversativa “mas”) e principal da 4 (por ter a 4 como seu sujeito).

4)      Subordinada substantiva subjetiva à 3 (por ser o sujeito de “é difícil”)

Fantasmas da Análise sintática 4) Verbo sendo sujeito

Pergunta de uma aluna:

Mestre, em “Navegar é preciso”, o sujeito não é simples? Mas não é uma palavra só?

Antes de tudo, é bom saber que essa famosa frase foi dita, pela primeira vez, segundo o historiador Plutarco, pelo general romano Pompeu, quando incentivava seus homens a enfrentarem o mar bravio e cheio de assaltantes com a missão de levar alimento ao povo romano num momento de crise. Vale lembrar que “preciso”, nessa frase, ao contrário do que muitos pensam, se trata do adjetivo equivalente a “exato”, “sem erros”, “sem imprecisões”.

É... Sua dúvida tem certa procedência. Afinal, o sujeito de “é preciso” é “navegar”, o núcleo é a palavra “navegar”, um vocábulo somente; então, deveria ser um sujeito simples.

A Nomenclatura Gramatical Brasileira, porém, dividiu o sujeito em quatro tipos: simples, composto, oracional e indeterminado, além de observar que pode haver orações sem sujeito.

O que ocorre nesse período é que existem dois verbos: “navegar” e “é”. O sujeito de “é” é a ação “navegar”. Veja só: O que é preciso? E a resposta vem clara: “Navegar” (só um infinitivo) ou “que se navegue”. Como é um verbo, sabemos que é uma oração. A NGB preferiu chamá-lo de oracional, isto é, a função de sujeito do verbo “ser” é exercida por uma oração reduzida de infinitivo: “Navegar”. Se tivéssemos a opção “Que se navegue”, ela estaria na forma desenvolvida, ou com a conjunção.

É bom saber que, sendo uma oração, “navegar” também deve ter um sujeito, que deve ser considerado indeterminado, ou seja, é aquele caso não explicitado na Gramática Tradicional, em que o verbo está no infinitivo sem flexão, não indicando, assim, um agente da ação. É uma referência geral, isto é, a todos e não a alguém específico.

Turma 20 do Curso à distância de Formação em Revisores

Estamos confirmando a 20a turma do "Curso à distância de Formação em Revisores e Atualização em Língua Portuguesa", que, assim, contempla uma larga revisão do programa de Língua Portuguesa, incluindo Ortografia, Pontuação, Conjugação verbal, Coesão e coerência, Concordância, Regência, Crase, Emprego de pronomes relativos, demonstrativos e pessoais, e outros mais.
Esta turma começará em 2/7, com uma pré-aula, em que falaremos do uso do Skype para os encontros on-line (que podem ser gravados), mostraremos o calendário e os itens do programa e explicaremos toda a dinâmica dos exercícios e avaliações.
A Aula 1 está marcada para o dia 9/7, e o curso se estende até a segunda semana de setembro. O investimento é baixo, apenas R$ 300 para 11 encontros, mais de 350 slides, cerca de 600 exercícios com gabaritos e comentários, além de 10 avaliações corrigidas e, também, comentadas.
Outras informações podem ser encontradas no site <www.professorozanirroberti.com.br>, na página "Cursos" e no blog (matéria de 1/6).
Caso você não possa fazer o curso agora, agradecemos sua divulgação.
Qualquer dúvida, faça contato.
Abraços.
Ozanir Roberti

Fantasmas da Análise sintática 3) Transitividade ou predicação verbal

Pergunta de um “concurseiro”

Na construção “Nunca produzimos nem vendemos tanto. Nós não sabemos se rimos ou se choramos”. Qual seria a transitividade destes verbos? 

No gabarito está que existe apenas um verbo transitivo. Existe uma outra opção que afirma que apenas os dois primeiros são intransitivos. A aluna colocou esta opção, e o professor do cursinho deu como errado colocando o gabarito como “há apenas um verbo transitivo”.

Não sei de onde veio tal questão, nem a resposta adequada. O fato é que as opções citadas não correspondem à verdade.

Os dois primeiros (“produzir” e “vender”) são transitivos diretos, apenas o objeto direto dos dois é o mesmo, por isso não o repetimos: “Nunca produzimos tanto nem vendemos tanto.” Veja que poderíamos dizer “Nunca produzimos tantos bens nem vendemos tantos bens.”

O terceiro, “saber”, também é TD, sendo seus ODs as orações seguintes: “se ri ou se chora”, coordenadas entre si.

Os dois últimos (“rir” e “chorar”) são intransitivos, não precisam de qualquer complemento.

A verdade, porém, é um pouco mais complicada, já que a predicação verbal pode variar conforme o texto em que o verbo aparece. Entenda isso, usando os exemplos abaixo;

1)      A menina canta o Hino Nacional com emoção.

2)      A menina canta bem!

Percebam que, no exemplo 1, o verbo “cantar” tem um complemento objeto direto “o Hino Nacional” e um adjunto adverbial “com emoção” (= “emocionadamente”). No segundo período, o verbo “cantar” vem acompanhado apenas de um adjunto adverbial de modo. Assim, o primeiro “cantar” é transitivo direto, e o segundo, intransitivo.

Fantasmas da Análise sintática 2) Ainda um caso com "o que"

Mais um caso com “o que”:

“Seus sentimentos são alheios ao que penso sobre ela.”

É certo que o “o”, que aparece combinado à preposição “a”, é o complemento nominal do adjetivo “alheios”?

É mais ou menos isso. Na verdade, o complemento nominal do adjetivo “alheios” é “ao que penso sobre ela”, cujo núcleo é o pronome substantivo demonstrativo “o”, precedido pela preposição “a”, regida pelo adjetivo “alheios”. A oração iniciada pelo pronome relativo “que” especifica o “o”, sendo, portanto, parte da função complemento nominal.

Na análise tradicional de orações, a divisão ocorreria entre o “o” e o “que”, e a oração do “o” seria a principal, enquanto a do “que” seria subordinada adjetiva restritiva.  

Em termos de funções sintáticas, no entanto, a análise é bem simples:

“Seus sentimentos (sujeito) são (verbo de ligação) alheios (núcleo do predicativo do sujeito) ao que penso sobre ela (complemento nominal).”