Adjuntos adnominais e complementos nominais: diferenças

ADJUNTOS ADNOMINAIS E COMPLEMENTOS NOMINAIS: diferenças

Os dois referem-se a nomes de tipos definidos, que podem ser:

A) ADJETIVOS E ADVÉRBIOS - sem problemas na identificação, pois o que se refere a adjetivos e advérbios só pode ser complemento nominal

1) Aquela explicação foi útil a toda a turma.  - “a toda a turma” só pode ser complemento nominal, pois é um termo preposicionado que se refere ao adjetivo “útil”.

2) O professor decidiu favoravelmente aos alunos. - “aos alunos” só pode ser complemento nominal, pois é um termo preposicionado que se refere ao advérbio “favoravelmente”

B) SUBSTANTIVOS CONCRETOS - sem problemas na identificação, pois o que se refere a substantivos concretos só pode ser adjunto adnominal

3) O livro de matemática trouxe ótimos exercícios. - “O” e “de matemática” são adjuntos adnominais, pois se referem ao substantivo concreto “livro”; “ótimos” também, pois se refere ao substantivo concreto “exercícios”

C) SUBSTANTIVOS ABSTRATOS - o que se refere a substantivos abstratos pode ser adjunto adnominal ou complemento nominal, mas:

- se não tiver preposição, é adjunto adnominal

4) Um sentimento alegre dominava o grupo rebelde. - “Um” e “alegre” são adjuntos adnominais, pois não têm preposição.  

- se tiver preposição e indicar posse, especificação ou agência, é adjunto adnominal

5) O temor das crianças pode ser instável... - “das crianças” indica posse / “O” é adjunto adnominal.

6) A dor de amor é meio estranha. - “de amor” indica uma espécie de “dor” / “A” é adjunto adnominal.

7) Todos querem imitar aquela invenção do humorista. - “do humorista” pratica a ação de “inventar” (ação contida no nome “invenção”) [“O humorista (sujeito) inventou algo.”] / “aquela” é adjunto adnominal.

 - se tiver preposição e indicar a ideia de paciência é complemento nominal

8) A invenção do automóvel diminuiu as distâncias. - “do automóvel” sofre a ação de “inventar” [“Alguém inventou o automóvel (objeto de inventar).”] / “A” e “as” são adjuntos adnominais.


Mais ditongos...

Mais ditongo

Olá, professor

Qual a diferença entre o “en” de “limpamento” e o /em/ de “bem”/?

(Thalita Martins)

Em "limpamento", diferentemente de "bem", o grupo gráfico "en", por estar no meio da palavra, deve representar fonologicamente o som /eN/ uma vogal anterior nasal e o arquifonema nasal, dois fonemas. Já em "bem", temos a seguinte representação fonológica /'beyN/, caracterizando, por ser final de palavra, o ditongo decrescente nasal /eyN/. Veja que, nesse caso, são três fonemas, pois, além das outras duas (vogal anterior nasal + arquifonema nasal), existe a semivogal anterior /y/, que não observamos na primeira palavra. 


Ditongos e hiatos

Professor, boa noite!!!!

Preciso da sua ajuda

Temos dois ditongos na palavra CUIA? (Aline Alves Fogolin)

Não, para a tradição gramatical, que considera somente o ditongo /uy/ (formado pela vogal posterior alta e a semivogal anterior). Para a maioria dos estudiosos, do ditongo /uy/ para o /a/, temos um hiato. Numa análise mais moderna, existiria a possibilidade se considerássemos a seguinte transcrição fonológica /’kuyya/, com um alongamento da semivogal, que, para outros especialistas, soaria como duas. É algo que merece uma boa discussão...   

Acredite ou não, isso caiu no exercício do meu filho que está no 1 ano..... O antigo C.A. Obrigado, professor!

Irresponsabilidade ou ignorância...


Verbos defectivos? O que é isso? Verbos com defeito...

VERBOS DEFECTIVOS

São verbos ‘que têm defeito’, isto é, que não apresentam todas as conjugações. E por que isso ocorre?

Tudo se resume a visões diferentes em relação à língua portuguesa.

No passado, os estudiosos da nossa língua eram pessoas especiais: religiosos e escritores. Seus campos primários de atuação estavam ligados, respectivamente, à moral e à estética. Assim, suas preocupações envolviam aspectos hoje considerados curiosos. Por exemplo, os padres não admitiam palavras cujos sons lembravam palavrões e maldições, e os artistas das palavras evitavam aquelas que eram feias ou desagradáveis aos ouvidos. E foram esses homens que trouxeram o português para o Brasil.

Dessa forma, surgiram os verbos defectivos, como “computar”, que acabou evoluindo para “contar”, bem mais simples e fácil de conjugar.

Veja só: os padres nunca falavam formas como “computo, computas e computa”, só admitindo esse verbo nas formas de plural:

- “computamos, computais e computam”;

Pronto! Estava criada uma regra: “tal verbo só existe nas formas de plural”.

 Os literatos, por sua vez, evitavam as formas sonoramente feias, como “adequo”...

Pronto! Estava criada outra regra: “o verbo “adequar” só tem as formas arrizotônicas, ou seja, as que têm a vogal tônica fora do radical (em “adequar”, o radical é “adequ”).

- “adequamos e adequais”;

A gramática, que acabou se impondo como norma para a boa escrita, criou, então, a ideia dos verbos defectivos, recomendando que certos verbos só se conjugassem em determinadas formas, por exemplo:

- verbo “reaver” no presente do Indicativo – só nas formas arrizotônicas: “nós reavemos e vós reaveis”; e não tem o presente do subjuntivo, que sairia do “eu” do presente do indicativo (que não existe);

- verbo “colorir” no presente do indicativo – não apresenta a primeira pessoa do singular, mas tem as demais, “colores, colore, colorimos, coloris e colorem”; não havendo a forma “eu”, também não existe o presente do subjuntivo.

É claro que se trata de um conceito meio antigo, e, numa terra onde as pessoas têm uma relação pequena com a língua culta (quase nenhuma com a gramática), os falantes não conhecem tais limitações da norma padrão do idioma.

É muito interessante notarmos o que ocorreu com o verbo “computar”.

Com o advento da informática, esse verbo voltou a ser usado, não mais como sinônimo de “contar”, com outro sentido, bem mais específico: “registrar por meio de computador”.

E o que ocorre?  As pessoas, mais até as crianças, o usam normalmente, sem encontrar problemas, o que é normal nos verbos de primeira conjugação: “computo, computa...”

Nem sabem das restrições gramaticais...

Por isso tudo, as pessoas tendem a usar o verbo “adequar” nas formas vetadas pela norma gramatical, isto, é, aquelas que não deveriam ser utilizadas:

Cada vez mais a noção da defectividade verbal vai sendo esquecida...

E o que se deve fazer: é questão de escolha de cada um. Eu, por exemplo, gosto de seguir o “padrão culto da língua”.

Ao contrário da frase “Importante é que você não se adeque jamais”, eu sempre “procuro me adequar” à forma recomendada, isto é, “eu sempre estou adequado a ela” ou, ainda, “eu me adapto ao uso padrão”. Viram? Sempre há uma maneira mais normal de falar o que se deseja.

Vejam que há casos mais curiosos ainda:

- Se nós perdemos as nossas chaves dos carros, e logo conseguimos reaver tais objetos, nós  falamos:

- “Nós reavemos nossas chaves.”

Dá para usar o verbo “reaver”; porém, se fosse somente eu como ficaria:

- “Eu... minha chave.”

Melhor dizer: “Eu recupero minha chave...”

Ou então: “Eu estou reavendo minhas chaves.”

 

Obs. O artigo antes de “importante”, na frase original, é facultativo, já que a oração iniciada pelo “que” pode ser uma subordinada substantiva subjetiva ou predicativa.    


O drama do "esse" ou "este"

Pronomes Demonstrativos

O emprego dos pronomes demonstrativos é um assunto para o qual as pessoas em geral não dão a devida importância, mas existem algumas regras. Vamos a elas.

1ª. pessoa – Este(s), esta(s) e isto

2ª. pessoa- Esse(s), essa(s) e isso

3ª. pessoa-       Aquele(s), aquela(s), aquilo, o, a, os e as; tal (tais), próprio (s), própria (s), mesmo (s), mesma (s), determinado (s), determinada(s)

Ex. Menina, hei de tocar esse rosto, com estas mãos, por aquele motivo que já lhe revelei. 

Ex. Menina, hei de tocar esse (teu) rosto, com estas (minhas) mãos, por aquele motivo que já te revelei. 

Caso 1 – Uso físico (dêitico ou extratextual)

1) Este livro está comigo porque é meu. – O livro está com o falante...

2) Por favor, devolva-me esse papel, porque ele é meu. –  O papel está com o ouvinte...

3) Vá até o portão e pegue aquela carta. – A carta não está com o falante nem com o ouvinte...

Caso 2 – Uso textual

1) Maria disse isto: Nunca mais volto aqui! – O uso do “isto” é catafórico (ainda a ser citado).

2) “Eu não volto mais aqui”, Maria disse isso com amargura. – O uso do “isso” é anafórico (já citado).

3) Nós nada tivemos a ver com aquilo. – O uso do “aquilo” também é anafórico (já citado bem antes).

4) São várias as razões que nos levam a acreditar nas consequências ruins da saída do Reino Unido. No capítulo seguinte, iremos ver estas situações.

5) Falta de empregos, economia derrubada, serviços com preços alterados para mais e agronegócio estagnado, são essas as principais causas da insegurança no Brasil.

Caso 3 – Uso na seleção (evitando repetições)

1) A mulher e o ex-marido se desentenderam novamente; a mulher não abre mão da casa e o ex-marido não quer deixá-la. – frase mal construída, com repetição

- A mulher e o ex-marido se desentenderam novamente; aquela não abre mão da casa e esse (ou este) não quer deixá-la. – “Aquela” se refere ao que está mais longe; “esse” (ou “este”), ao que está mais próximo.

2) Pelé, Tostão e Romário foram gênios na arte de fazer gols; Pelé e Tostão, você não viu jogar, mas Romário foi visto por você no gramado.   – frase mal construída, com repetição

- Pelé, Tostão e Romário foram gênios na arte de fazer gols; aqueles, você não viu jogar, mas este (ou esse) foi visto por você no gramado. – “Aqueles” é uma referência aos que estão mais longe; “este” (ou “esse”), ao que está mais próximo.