Conselho a um jovem mestre de judô

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Prezado mestre Ozanir

Como você sabe, sou professor de judô, e, na minha academia, temos grande preocupação com a formação integral do ser humano. Há, na minha academia, um aluno que vai muito mal na escola em português. Converso bastante com ele e tento recomendar-lhe que leia, mas ele diz que não gosta, que não consegue ler um livro. Como posso ajudá-lo? (André Simões)


Prezado André

É um prazer 'ajudá-lo a ajudar' alguém!

Ler é, antes de tudo, exemplo. Mais que palavras, valem as ações. Tente aproximá-lo de pessoas que leem. Vendo-as fazer isso ou ouvindo-as comentar o que leram é provável que a curiosidade dele seja despertada.

Procure sentir assuntos que interessam ao seu jovem aluno. Descubra livros que possam ter interessado aos seus outros discípulos, principalmente os colegas que ele, por alguma razão, admire. Será uma boa influência, De alguma forma, procure fazê-lo ter a vontade de conhecer o livro.

Quanto a algumas recomendações de leitura, há alguns sites específicos para a indicação de livros conforme a idade. Com certeza, ali há boas sugestões.

Depois, escreva-me contando se tivemos êxito. Conte sempre comigo.

A propósito, leia também. Deixe-o ver você com livros debaixo do braço.

Um grande abraço.
Ozanir Roberti


Pílulas de cada dia

Pílula do dia 29/3

Pergunta:

Boa noite, mestre querido! Estudando agora há pouco com meu filho, encontrei uma grafia no mínimo estranha da palavra "revelar". Não encontrei nada que explicasse o hífen no novo acordo. Está correta a palavra? Beijos e obrigada! (Pat Martins)

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Resposta:

O prefixo “re”, que realmente apresentava hífen em alguns casos apresentava hífen obrigatório (veja este exemplo: era “re-ratificação”), foi simplificado. Agora, ao lado de outros como “a”, “an”, “co”, “con” e “des”, o “re” sempre se escreve junto: reorganizar, rerratificação...

Aliás dos cinco citados como iguais ao “re”, só me lembro de uma exceção: “a-histórico” 

Observação:

Imaginei... não via sentido neste hífen. Inacreditável que esteja escrito em um livro de história! O revisor deve ter dormido rs
Espero que esteja tudo bem
Beijos e obrigada!  (Pat Martins)

Não foi isso. Em 2009, algumas editoras quiseram se antecipar ao texto do acordo que só foi fixado após setembro. Assim prepararam seus livros antes de ele estar totalmente definido. Você encontra erros com esse prefixo até em livros de português.

 

Pílula do dia 30/3

Professor, me tira uma dúvida?

A nomenclatura oculto desapareceu? Ou pode-se usar sujeito oculto ou desinencial?

(Marcela Delgado)

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É tudo uma questão de nomenclatura diferente, particularizada.

Antigamente, chamavam de “sujeito oculto”. Com o estruturalismo, apareceu o nome “sujeito desinencial”. No tempo intermediário, apareceram outros nomes, como elíptico, subentendido, implícito. Apesar de a Nomenclatura Gramatical Brasileira não ser perfeita, ainda é a mais simplificada, chama esse tipo de sujeito de “simples”.

Afinal, não existe diferença de compreensão para a identificação do sujeito nas orações “Eu comprei um livro” e “Comprei um livro”. Tanto faz chamá-lo de “oculto” ou “desinencial” ou “simples”. Ou ainda “implícito” ou “subentendido”.

E os coitados dos alunos é que sofrem com a mania dos professores de língua portuguesa, os quais, mal orientados, acabam exigindo nomes diferentes a cada série.

 


Piadas do Português

É possível não saber o que aparece na própria apostila?

- Professor, o que é /enzame/?

Escrevi a palavra dessa forma, porque esse era o som que eu ouvia na pergunta insistente do aluno:

- Professor, o que é /enzame/?

Ouvi com atenção e respondi que não sabia...

Levei uma bronca:

- Como é possível? Você não sabe o que significa uma palavra que aparece na sua apostila? E ele disse isso já com a apostila na mão...

Meio espantado, fiquei sem saber o que dizer. Retomando o controle, pedi-lhe que me mostrasse.

E lá estava ela: enxame, o coletivo de abelhas...

           

“Xuxu” com “x”

- Mestre, há um gabarito errado na prova de sábado!

- Gabarito errado? Acho que não! Nós conferimos direitinho. Não vimos erro algum.

- Mestre... Ou então o senhor ensinou errado!

Fiquei preocupado! Era, na época, um jovem professor, com pouco mais de 20 anos... Porém, já estava um pouco “metido a saber”. Será que tinha realmente ensinado algo errado? Pedi-lhe que me trouxesse a tal prova para ver o erro.

A aluna, uma jovem senhora, mostrou-me a resposta que ela considerava um erro:

O enunciado da questão de múltipla escolha pedia que se identificasse a opção em que havia um erro. Ela me apontou a letra D, e disse:

- Veja, mestre! A letra D “diz”: “O xuxu da feira anda muito caro”.

A minha cara de bobo não revelava o meu real espanto! Parei! Com paciência, falei: “a resposta é essa mesmo”. “Xuxu” com “x” está errado! É com “ch”!

A resposta veio rápida:

Então o senhor ensinou errado. Na sua aula, o senhor disse: “’Xuxu’ com ‘x’ só se for na feira...”

Nesse dia, aprendi a ter mais cuidado com as brincadeiras...


Apresentação do Blog

Este é um blog feito para quem precisa da boa língua portuguesa, mas, principalmente, será um espaço onde devem se encontrar pessoas que têm paixão pelo nosso idioma.

Aqui haverá histórias curiosas e engraçadas, discussões duras e interessantes, além de soluções simples e práticas para muitos casos gerais e específicos da nossa língua, que, sem dúvida, pode ser considerada uma das mais complexas e discutíveis que existem hoje entre as que se falam no mundo moderno.

Dicas de como escrever certas palavras ou substituí-las por outras mais adequadas, construir algumas frases óbvias ou trocá-las por outras com maior clareza e, especialmente, apresentar a maneira ideal de melhorar os textos, tornando-os mais leves, claros e agradáveis.

Enfim, é um blog para nós, que amamos a “última flor do Lácio” e “segundo idioma mais usado na internet”: a língua portuguesa.