O verbo "costumar" e a locução verbal

Pergunta

 Boa noite, professor.

Dúvida:

Na construção: “Ele levantou duas objeções que geralmente se costumam fazer.”

O sujeito de “COSTUMAM FAZER” é o “QUE”?

Resposta e explicação

Deve-se seguir a primeira análise.

Considerando "costumam fazer" como locução verbal, o que é muito comum na língua falada, a resposta seria “sim”, e a explicação é a seguinte: como o verbo principal, “fazer”, é transitivo direto, a presença do “se”, atuando como apassivador, transforma o OD em sujeito passivo. Equivale a:

“Ele levantou duas objeções / que geralmente costumam ser feitas.”

O pronome relativo “que” retoma “duas objeções”, e a leitura da segunda oração seria “duas objeções costumam ser feitas”

A maioria dos livros e dicionários costuma não recomendar essa linha de análise.

Vamos a uma segunda análise:

Não é a que se deve seguir, pois teria de imaginar um erro de concordância verbal.

A outra opção que poderia ser considerada é a impossibilidade de o verbo “costumar” formar a locução verbal (mais comum em livros e dicionários), o que o obrigaria a vir o singular:

“Ele levantou duas objeções / que geralmente se costuma / fazer.”

Então, o sujeito de “costumar” seria a oração seguinte (a do verbo “fazer”). Sendo um sujeito oracional, justifica-se o “costumar” na 3ª. pessoa do singular. E o pronome relativo “que” ainda retomaria “duas objeções”, agora, como objeto direto de “fazer”. Veja que a leitura seria a seguinte: “geralmente se costuma fazer duas objeções”. 


Um pouco de fonologia, para não iniciados

 Pergunta:

 

A minha filha está com uma tarefa do colégio, cujo enunciado pede ao aluno que "prove a existência da vogal" (cada uma delas) em certas palavras.

Eu te confesso que não lembro como fazer isso e não consigo explicar como fazê-lo.

Como exemplo, o professor usou as palavras "meu", "papai" e "trabalho".

Alguma sugestão de bom material de consulta que possa ajudar?


Resposta e explicação:

 

Vogal é elemento silábico, isto é. o número de vogais é igual ao número de sílabas da palavra.

Assim, "meu", que tem uma sílaba, só apresenta uma vogal, o /e/ ou /ê/, representado pela letra "e". Vale saber que a letra "u" indica a existência de um outro fonema de natureza vocálica (mas que não forma sílaba), que tem a representação fonológica /w/, o qual é, na verdade, quase uma vogal, ou seja, uma semivogal. Essa é a posterior, pois a língua, na hora da pronúncia, recua.

Em "papai", temos duas sílabas, então duas vogais /a/, um átono (fraco), o primeiro, e outro tônico (forte), além de uma semivogal anterior (a língua, nesse caso, avança) indicada pelo "i" (na realidade, representando o som /y/, algo que é quase um "i", mas não chega a formar uma nova sílaba).

Finalmente, em “trabalho”, encontramos três sílabas: na primeira, a vogal /a/ fraca (átona), na segunda, outra vogal /a/ forte (tônica), e, na última sílaba, a letra “o” representa outra vogal (afinal, forma sílaba), que pode ser pronunciada, dependendo da região do Brasil, como /o/ ou /u/, já que isso não altera o significado da palavra.


Lançamento da 18a turma do Curso de Formação de Revisores (agora à distância)

Nossa próxima turma - a 18a - do "Curso de Formação em Revisores", segunda à distância, terá início em 7 de março de 2019. Serão, conforme programa e calendário, 10 semanas, com módulos definidos a cada período - slides em Power point, exercícios de fixação, gabaritos e teste.

Tal intervalo semanal é para o amadurecimento do aprendizado, feitura dos exercícios, conferência do gabarito e realização da prática de revisão individualizada, corrigida e avaliada a cada segmento.

Além disso, haverá, a cada semana, uma hora de aula por Skype (gravada), com horários previamente determinados - a princípio, quintas-feiras às 19h, no horário de Brasília.

Caso haja necessidade de esquema ou atendimento especial, para suprir alguma perda ou urgência, podemos estudar uma mudança e conferir um tratamento diferenciado.

O investimento está definido em R$ 300, quitado por meio do PagSeguro, que já está ativado, ou por depósito bancário, mediante pedido dos dados. As matrículas se estenderão até o dia 6 de março ou quando se encerrarem as vagas.

Fique à vontade para me escrever (<contato@professoozanirroberti.com.br>) a fim de obter outras informações.

Abraços.

Ozanir Roberti


Curso de Análise sintática (à distância)

Lançamento da 5a turma do Curso de Análise sintática (agora à distância)

Nossa próxima turma - a 5a - do "Curso de Análise sintática ", primeira à distância, terá início em 11 de fevereiro de 2019. Serão, conforme programa e calendário, 10 semanas, com módulos definidos a cada período - slides, exercícios de fixação, gabaritos e teste.

Tal intervalo semanal é para o amadurecimento do aprendizado, feitura dos exercícios, conferência do gabarito e realização da prática de revisão individualizada, corrigida e avaliada a cada segmento.

Além disso, haverá, a cada semana, uma hora de aula por skipe, com horário previamente determinado - a princípio, segundas-feiras às 19h e, se necessário, quartas-feiras às 19h, também no horário de Brasília.

Caso haja necessidade de esquema especial, para suprir alguma perda ou urgência, podemos estudar uma mudança e conferir um tratamento diferenciado.

O investimento está definido em R$ 300, quitado por meio do PagSeguro, que será ativado no próximo dia 30/1, ou depósito bancário. As matrículas se estenderão até o dia 10 de fevereiro ou quando se encerrarem as vagas.

Fique à vontade para me escrever (<contato@professoozanirroberti.com.br>) a fim de obter outras informações.

Abraços.

Ozanir Roberti


A vírgula e a pausa

Pergunta do meu amigo Luís Santoro, professor e locutor de TV e rádio, autor de “dicas” importantes de língua portuguesa.

Amico!! Tudo bem? Por favor, me esclareça uma dúvida. O SporTV faz uma chamada sobre games e escreve: "Quem joga entende". Não deveria haver uma vírgula depois do 1º verbo?? Ou não é obrigatória??

Grazie. Abbraccio e Felice Anno Nuovo!

 Olá, amigo Não existe a vírgula. Na verdade, melhor dizendo, não se precisa dela. Veja que são dois verbos em sequência, mas não formam locução verbal, já que o segundo não está numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio). Isso indica, na hora da fala, a necessidade da pausa entre eles. É uma pausa que não se marca com a vírgula por não ser ela necessária.

É verdade: não se espante! Ao contrário do que diz a "sabedoria popular”, não são as pausas que marcam as vírgulas, mas, sim, vírgulas que marcam pausas.

Ademais, a própria regra diz que "não se separa sujeito de verbo", e "Quem joga" é o sujeito de "entende".

Abbraccio! Tenha também um feliz 2019!