Turma 21 do Curso à distância de Formação em Revisores

Estamos confirmando a 21a turma do "Curso à distância de Formação em Revisores e Atualização em Língua Portuguesa", que, assim, contempla uma larga revisão do programa de Língua Portuguesa, incluindo Adequação vocabular, Ortografia, Pontuação, Conjugação verbal, Coesão e coerência, Concordância, Regência, Crase, Emprego de pronomes relativos, demonstrativos e pessoais, e outros mais.
Esta turma começará em 22/8, com uma pré-aula, em que falaremos do uso do Skype para os encontros on-line (que podem ser gravados; permitindo ser vistos pelo aluno quando quiser e quantas vezes desejar). Mostraremos, também, o calendário e os itens do programa, e explicaremos toda a dinâmica dos exercícios e avaliações.
A Aula 1 está marcada para o dia 29/8, e o curso se estende até a terceira semana de outubro. O investimento é baixo, apenas R$ 300 para 11 encontros, mais de 350 slides, cerca de 600 exercícios com gabaritos e comentários, além de 10 avaliações corrigidas e, também, comentadas.
Outras informações podem obtidas com o próprio professor <contato@professorozanirroberti.com.br>.
Caso você não possa fazer o curso agora, agradecemos sua divulgação.
Qualquer dúvida, faça contato.
Abraços.
Ozanir Roberti


Fantasmas da Análise sintática 10) Locuções prepositivas inciam orações desenvolvidas?

Pergunta de uma aluna:

Professor, pensei em um tipo de locução prepositiva que introduz uma oração desenvolvida: "Ele fez tudo de acordo com o que pedi". "De acordo com", até por terminar em preposição, é locução prepositiva, e não locução conjuntiva. Locuções prepositivas podem iniciar orações desenvolvidas? Há uma explicação para tal fato?

Não! Isso não é verdade! Sua conclusão e sua dúvida se fundamentam num erro de análise sintática.

Vejamos o seu período: "Ele fez tudo de acordo com o que pedi."

Há dois verbos – “fez” e “pedi” – e um conectivo – “que”. Tudo normal! Vamos à separação das orações.

1.       "[(1) Ele fez tudo de acordo com o][(2) que pedi.]"

Foi aí que você errou, na divisão das orações. E tal erro levou-a à conclusão errada.

A locução prepositiva “de acordo com”, realmente introduz um adjunto adverbial com a noção semântica de conformidade, cujo núcleo é o pronome substantivo demonstrativo “o”, que é igual a “aquilo”. A carga semântica desse pronome só ganha substância com o adjunto adnominal oracional “que pedi”. Veja que as opções seguintes seriam mais fáceis de entender, não só na sua divisão, mas também no conteúdo das mensagens.

2.      "[(1) Ele fez tudo de acordo com aquilo][(2) que pedi.]"

3.      "[(1) Ele fez tudo de acordo com o movimento][(2) que pedi.]"

A ideia de conformidade, introduzida pela locução prepositiva (e é prepositiva porque o último elemento é uma preposição) “de acordo com” se tornaria mais nítida se a substituíssemos por “conforme”. No entanto, só temos uma ideia realment clara quando aparece uma restrição, especificando o substantivo “movimento” e o pronome “aquilo”. Tal especificador é a oração iniciada pelo pronome relativo “que”, no caso uma subordinada adjetiva restritiva.

Tal erro ocorreu por um esquecimento. Havendo um “o que”, não se esqueça de que:

a)      se separam as orações entre o “o” e o “que”;

b)      a oração do “o” é principal;

c)      a oração do “que” é subordinada adjetiva restritiva;

d)      o “o” é pronome substantivo demonstrativo;

e)      e o “que” é pronome relativo.  

Finalmente, uma locução prepositiva pode, sim, iniciar uma oração desenvolvida. Basta, para isso, que, em seguida a ela, apareça uma conjunção.

4.      “Iniciou os entendimentos com a oposição a fim de que tudo estivesse combinado antes da votação.”

A locução prepositiva “a fim de” vem seguida da conjunção “que” e, juntas, iniciam a oração adverbial final desenvolvida. Vale saber que “a fim de que” é considerada uma locução conjuntiva.


Fantasmas da Análise sintática 9) A preposição "para" iniciando orações

Pergunta de uma aluna:

Olá, professor! Estava lendo seu último post, e ele veio ao encontro de um questionamento que fiz nesta semana, a respeito de preposições e conjunções. É que me incomoda um pouco o "para" não ser considerado também conjunção, embora ele apenas introduza orações reduzidas. Mas isso parece contrariar um pouco a explicação de que preposições unem apenas palavras, e não orações.

Na verdade, é um questionamento que diz respeito à preposição “para”, que, ao iniciar oração, funcionaria como conjunção.

  Há, realmente, um caso em que o “para” inicia oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo, aliás, uma construção clássica e muito comum na nossa língua.

 1)      “Eles utilizaram a rede social para atingir leitores específicos.”

  O que ocorre, exatamente, é que a preposição “para” liga palavras, ou seja, estabelece ligação entre o verbo “atingir”, que está no infinitivo, e o verbo “utilizar”, criando uma subordinação da segunda oração em relação à primeira.

  Acontecem casos em que o “para” (insisto: uma preposição!) aparece antes da conjunção subordinativa final, em orações com a mesma noção semântica.

 2)      “Eles utilizaram a rede social para que atingissem leitores específicos.”

  Veja que, nesse exemplo, existe o “para”, tornando clara a noção semântica de finalidade, e a conjunção “que”, funcionando como o conectivo oracional. Em termos morfológicos, consideramos a locução “para que” como locução conjuntiva.

  Existem, também, exemplos em que o “para” inicia orações substantivas, sendo uma preposição regida pelo verbo ou nome anterior.

 3)      “Os professores entregaram os prêmios para quem mais os merecia.”

4)      “Os exemplos foram úteis para quantos necessitavam das explicações.”

  Nos casos acima, temos duas orações subordinadas substantivas. A do exemplo 3 é objetiva indireta, sendo a preposição regida pelo verbo anterior, “entregar” (transitivo direto e indireto). No outro, quem rege a preposição “para” é o nome “úteis” (predicativo da primeira oração); por isso, a oração é completiva nominal. Em ambos os casos, o “para” é seguido de pronomes substantivos indefinidos, que exercem a função de sujeito dos verbos que vêm depois.

  O “para” pode aparecer, ainda, antes de pronomes relativos que exerçam uma função introduzida pela própria preposição.

 5)      “As explicações para que estávamos atentos eram surpreendentes.”

6)      “Ficou bem surpresa a jovem para quem demos a flor.”

  Ainda são dois casos em que a preposição é regida por um nome e por um verbo. Em 5, é o adjetivo “atentos” que rege o “para”; no 6, a palavra regente é o verbo transitivo direto e indireto “dar”. Os termos precedidos pelo “para” com os pronomes relativos “que” e “quem” são, respectivamente, complemento nominal e objeto indireto.

  Assim, vemos que as ocorrências do “para” são bem explicadas pela nossa morfossintaxe.


Fantasmas da Análise sintática 8) Qual é a diferença entre as orações adverbiais conectivas e justapostas?

Pergunta de uma aluna de um dos meus cursos on-line

Professor, qual é a diferença entre uma oração adverbial conectiva e outra justaposta?

A princípio, dizemos que, quanto à morfologia, as orações subordinadas adverbiais podem ser desenvolvidas e reduzidas.

As orações reduzidas não são iniciadas por conjunções e, por isso, têm seus verbos nas formas nominais: infinitivo, gerúndio e particípio.

1)   “Antes de sair, veja o aviso na porta.” – subordinada adverbial temporal, reduzida de infinitivo;

2)   “Mesmo chegando cedo, nós não o encontramos no consultório.” – subordinada adverbial concessiva, reduzida de gerúndio;

3)   “Acabada a discussão, todos sentaram à mesa para um chope.” – subordinada adverbial causal ou temporal, reduzida de particípio.

As desenvolvidas sempre terão os verbos em outras formas que não as nominais e podem ser conectivas e justapostas.  

As conectivas são as orações subordinadas adverbiais mais comuns, isto é, aquelas que são iniciadas por conjunções ou locuções conjuntivas subordinativas.

4)   “Quando puder, aprenda melhor tal assunto.” – subordinada adverbial temporal, iniciada pela conjunção subordinativa temporal “Quando”;

5)   “Assim que receber o recado, venha ao nosso encontro.” – subordinada adverbial temporal, iniciada pela locução conjuntiva subordinativa temporal “Assim que”;

6)   “Resolveu a discussão entre os rivais, porque tinha bons argumentos.” – subordinada adverbial causal, iniciada pela conjunção subordinativa causal “porque”;

7)   “A União assumiu tais mudanças, uma vez que os estados estavam falidos.” – subordinada adverbial causal, iniciada pela locução conjuntiva subordinativa causal “uma vez que”;

8)   “Se estiver livre, apareça no próximo domingo.” – subordinada adverbial condicional, iniciada pela conjunção subordinativa condicional “Se”;

9)   “Conheça o novo modelo, desde que possa vir aqui no domingo.” – subordinada adverbial condicional, iniciada pela locução conjuntiva subordinativa condicional “desde que”.

São chamadas de conectivas devido ao fato de serem iniciadas por uma conjunção ou locução conjuntiva (quando há mais de uma palavra), ou seja, um verdadeiro conectivo. Ou melhor: um termo que existe apenas para ligar, que não tem função sintática

A desenvolvida justaposta é uma situação especial muito rara, que, praticamente só ocorre com as adverbiais de lugar ou locativas, que nunca são iniciadas por uma conjunção, e, sim, por um advérbio.

10)  "Os oficiais de Justiça estavam onde os imóveis seriam derrubados." – subordinada adverbial locativa ou de lugar, iniciada por um advérbio de lugar “onde”, com função de adjunto adverbial de lugar.

Ela é chamada de justaposta em vista de ser iniciada por um advérbio, uma palavra que apenas serve como conectivo. Veja que a oração subordinada, sozinha, poderia existir normalmente como uma pergunta: “Onde os imóveis seriam derrubados?“

Percebe-se, assim, que a palavra “onde” não é como os outros conectivos que iniciam as demais adverbiais.


Fantasmas da Análise sintática 7) O que é um "se" apassivador?

Um “se” apassivador é aquele que consegue formar uma voz passiva, isto é, ele altera a estrutura sintática da oração de tal modo que o sujeito, em vez de praticar a ação, a sofre.

Primeiro, vamos aprender o que é voz passiva.

1)    “O carro atropelou a moto.”

“O carro” é o sujeito da oração que tem como verbo “atropelar”. Ele pratica a ação de “atropelar”. Este verbo, por sua vez, é transitivo direto, ou seja, seu complemento é o termo que sofre a ação: “a moto”. Essa é a Voz Ativa.

A mesma mensagem poderia ser transmitida por meio de uma estrutura diferente:

2)     “A moto foi atropelada pelo carro.”

 “A moto”, que, na frase 1, era o objeto direto, é, agora, o sujeito, ou seja, continua sofrendo a ação, mas, agora, é o sujeito. Note que a forma verbal está construída de maneira diferente. Recebe um verbo auxiliar, no caso “ser”, na forma de passado “foi”, a que se soma o particípio do verbo principal, “atropelada”. Finalmente, o sujeito da oração 1 ganha o auxílio da preposição “por” e indica o termo que pratica ação; por isso, chama-se agente da passiva. Essa é a maneira como se forna a voz passiva no seu modelo mais tradicional, a passiva verbal ou analítica.

3)    Venderam a moto.

Note que, nesse exemplo, não aparece o agente da ação de “vender”. Diz-se que o sujeito é indeterminado. Não sabemos quem a vendeu. Sabemos, porém, que “a moto” é o objeto direto do verbo transitivo direto. Ela sofre a ação. A estrutura é ativa, pois o sujeito, mesmo indeterminado, foi alguém que praticou a ação.  

4)    Vendeu-se a moto.

O emprego do “se” muda a estrutura sintática do exemplo. Agora, diz-se que “a moto” é o sujeito, e a voz usada é passiva. Esse é o “se” apassivador. Faz a transformação da frase ativa em passiva. Note que, em relação à anterior, existe a mesma indeterminação do agente. Não sabemos quem a vendeu, mas sabemos o que foi vendido, “a moto”. A mensagem é igual à da 3, embora a estrutura seja diferente. Dizer “vendeu-se a moto” é o mesmo que dizer “a moto foi vendida”. Assim, comprova-se que o “se” é o elemento formador da voz passiva.

Isso, no entanto só ocorre com verbos que pedem objeto direto, isto é, o termo que, na voz ativa, sofre a ação. Veja outro exemplo

5)    Deram-se outros motivos aos atrasados.

Mais uma vez, não identificamos o agente. Não sabemos quem lhes deu os “motivos”. Vemos que “outros motivos”, termo no plural, que sofre a ação (de “ser dado”), é o sujeito; por isso, o verbo está no plural. Se o sujeito sofre a ação, a estrutura é de voz passiva. O verbo “dar” é transitivo direto e indireto, tendo sido o seu objeto direto transformado em sujeito paciente, o que sofre a ação. O objeto indireto – “aos atrasados” – continua sendo objeto indireto.

Muitos confundem esse “se” apassivador com um outro a que chamamos “indeterminador”. Na verdade, poderíamos dizer que é o mesmo “se”, que apenas foi usado num “ambiente” diferente, isto é, com um verbo que apenas não pede objeto direto.

6)    Depende-se de ajuda maior.

É... parece igual, pois também não identificamos o agente da ação. Mas, como não houve um objeto direto (na ativa) que pudesse ser o sujeito (da passiva), o “se” não consegue formar a voz passiva. O que ele apenas conseguiu fazer foi indeterminar o agente, que seria o sujeito da voz ativa. Ou seja, ele não formou uma voz passiva, apenas indeterminou o sujeito, daí o seu nome: “indeterminador”.

Isso ocorre sempre que não houver objeto direto pedido pelo verbo. Veja com esse verbo intransitivo.

7)    Ainda se morre de fome neste país...

Agora, percebe-se novamente que o sujeito é indeterminado, já que não se faz alusão a um sujeito, mas, sim, a uma ação contida no próprio verbo. É consequência do “se” indeterminador. Veja que os dois adjuntos adverbiais continuam com suas noções circunstanciais, de causa (“de fome”) e lugar (“neste país”).  

Mais um exemplo:

8)    Nem sempre se é feliz.

Temos, agora, a ocorrência de um “se” junto a um verbo de ligação. Novamente, aparece um sujeito indeterminado, já que não se faz referência específica a alguém. Curiosamente, o predicativo do sujeito – “feliz” – se refere a esse sujeito indeterminado. A expressão “nem sempre” é um adjunto adverbial de tempo com marca negativa.

Agora, vamos aprender a classificar os dois “se”:

Caso 1 – “se” apassivador => empregado junto a verbos que pedem objeto direto (TD e TDI); indetermina o agente e transforma o OD em sujeito paciente; forma voz passiva. Cuidado com a concordância, pois o sujeito é, agora, o termo, normalmente, posposto.

9)    Consideram-se as duas opções.

Voz passiva formada pelo “se” apassivador, já que o verbo é transitivo direto. Equivale a “As duas opções são consideradas”. O verbo, no plural, concorda com o sujeito posposto.

Caso 2 – “se” indeterminador => empregado junto a verbos que não pedem objeto direto (TI, Intransitivo e verbos de ligação); indetermina o agente, que é o sujeito; as outras funções se mantêm, e continua a voz ativa.

10)  Pensou-se em todas as opções.

Voz ativa, com sujeito indeterminado pelo “se” (indeterminador). O termo “em todas as opções” é o objeto indireto, e o verbo permanece no singular.